Perdida Pelo Mundo

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Derretendo a banha

20/08/2009 · 3 Comentários

Eu sei que tenho andado desaparecida, mas os problemas “técnicos” não acabam mais!

Na zona onde a gente mora a situação até que está resolvida, nunca mais faltou a luz, aliás, acho que faltou, mas só uns dois ou três dias desde então e por pouco tempo.
Agora no trabalho, a situação é beeem diferente, há duas semanas que a luz falha TODOS os dias a partir das dez, dez e meia da manhã, para só voltar às sete da tarde, ou seja quando já ninguém precisa dela, pois o facto só acontece em duas ruas e que são voltadas para o comércio.
Tudo está um caos, são geradores a queimarem, fundirem, mal aguentam uma ventoinha, são ups a dar o berro e a nem deixar ligar os pc’s, para não falar na postura limpa e arrumada quase impossivel de manter!

Eu já saio de casa com a roupa mais fresca que encontro, um coque na cabeça, maquilhagem à prova de derretimento e muitos, muitos lencinhos anti-brilho, água termal e toalhitas.
Mas depois de um dia infernal desses, com a sensação de estar dez anos mais velha, de tamanha exaustão e desespero,  sabem qual é a única coisa que passa pela minha cabeça???
Correr para casa, tomar um belo banho bem demorado e esparramar-me no sofá com o ar condicionado no máximo. Chego no fim do dia com a sensação de estar dez anos mais velha, de tamanha exaustão e desespero

Daí a minha ausência! Mas acho que estou mais que perdoada, não tou?

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Bens essenciais

12/08/2009 · 6 Comentários

A minha ausência é facilmente explicável, pelo meu alto nível de stress!

Pela primeira vez em quase dois anos, passei mais de 24 horas sem água, mas esta não dá nem para queixar, tem gente que já está há um mês sem a mínima gota, e felizmente só tive essa ruptura porque tenho uma caixa de água enooorme, que me valeu enquanto a água pública não chegava aos canos, durante dias a fio. Mas é sem dúvida, uma situação vergonhosa principalmente para com todas aquelas pessoas que sem outros meios, resta-lhes apenas ficarem horas a fio nas filas das fontes para conseguirem uma lata de água para consumo de famílias imensas.

Foto: www.liberal.sapo.cv

Foto: www.liberal.sapo.cv

Mas quando uma coisa está mal, é bom a gente lembrar que pode sempre ficar pior (como alguém dizia, “se não é do cu é das calças”), basta só lhe juntarmos a falta de energia durante dias, o calor absurdo, a comida que estava no frigorifico toda deitada fora, tomar banho literalmente com um fio de água, ou até mesmo de garrafão, ter que trabalhar mesmo assim, porque a vida não pára por causa disso… muitas dificuldades, principalmente para quem nunca passou por este tipo de problemas.

É realmente uma aprendizagem! A gente grita, bufa, berra, esperneia, mas sempre damos um jeitinho e lá vamos contornando a situação. Como uma pessoa disse, a gente reaprende a viver, e é mesmo verdade, para além de ganharmos um pouco mais de consciência. Por exemplo, eu não fazia a mínima ideia de quanta água eu gastava num banho, pois bem, continuo sem saber exactamente, sei apenas que é muita, pois se eu usei 10 Lt para lavar o meu cabelo da maneira mais rápida possível, agora imaginem, um banho completo com direito a máscara de cabelo, tratamentos de rosto e corpo, enquanto a torneira está aberta?!!! Sempre soube que se deveria poupar água, mas confesso que não o fazia, sabem é daquelas coisas, que a gente acha sempre que é só aos outros, que ainda falta muito tempo para a água escassear, enfim, pura idiotice e falta de consciência da minha parte.

Embora aqui, até seja uma privilegiada, porque tenho alguns recursos que a maioria não tem, mesmo assim é muito complicado e dou hoje em dia muito, mas muito valor a coisas que sempre tomei como adquiridas.

Algumas noticias da comunicação social, aqui e aqui.

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Tudo o que é bom acaba depressa

11/02/2009 · 2 Comentários

No dois dias antes de eu ir a Portugal pelo Natal aqui começou a fazer frio, quer dizer não é friiio, é uma temperatura mais fresca.
Mas quando cá cheguei passado quase um mês o cenário mantinha-se e manteve-se até há uns três ou quatro dias atrás.

Aqui durante o Inverno normalmente a temperatura varia entre 24ºC e 28ºC, o ar é extremamente seco e existe a chamada “bruma seca”, que é nada mais nada menos que poeira do sahara trazida pelo vento, mas e que poeira… são quilos que entram todos dias nas casas com o vento forte, chegam até a haver cancelamento de voos.

Mas este ano chegamos a ter temperaturas de 18ºC e raramente ia além dos 22ºC.
Ok, até parece ridículo eu dizer que senti frio, mas é verdade. De manhãzinha e ao final do dia eu lá vestia o meu casaquinho de ganga e durante dia usava um daqueles de malhinha bem fininho. Não é que estivesse frio, mas para andar de manga curta não estava assim muito agradável, principalmente pelo vento muito, muito forte que ainda dava uma sensação térmica mais baixa.
E para melhorar a situação eu só tenho roupa de verão (como é obvio) felizmente não sei o que me deu para trazer esses casacos lá de Portugal…, mas foram a minha salvação!

Esse friozinho gostoso nunca mais ia embora e eu estava a gostar cada vez mais dele. Não ter que ligar o ar condicionado, poder palmilhar o centro sem ficar toda a colar, olhar-me no espelho e ver que a minha cara estava ali, linda e maravilhosa sem sinais de reluzentes…Estava óptimo!

Mas infelizmente tudo acaba! Hoje já não precisei de casaco de espécie alguma, o ar condicionado ainda não liguei porque os edifícios ainda se mantêm fresquinhos, mas deixa só a temperatura ficar assim por uns dois ou três dias que vou logo a correr para o botãozinho ON que eu mais adoro nesse mundo.

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Trabalhar e morar em Cabo Verde

09/02/2009 · 11 Comentários

Eu tenho recebido alguns pedidos de informações sobre Cabo Verde, mais propriamente sobre trabalho, custo de vida, sobre se existe ou não o sentimento de isolamento, sobre a adaptação ao país e sobre arrendamentos. E como não consigo responder a todos individualmente resolvi fazer este post, mas por hoje só com os temas: emprego / custo de vida / arrendamentos, os outros ficarão para outro dia.

Vagas de emprego são bem difíceis de conseguir e mal pagas, a não ser que alguma empresa do vosso país de origem esteja a recrutar funcionários para cá e é bom salientar que esta é a situação de grande parte dos estrangeiros que aqui estão. Os que vêem por sua conta e risco normalmente abrem o seu próprio negocio e contratam pessoal de cá o que significa ordenados baixos.

Normalmente nas empresa grandes, que aqui na ilha são no máximo umas dez, todos os funcionários base são de cá e só na administração como braço direito dos donos podem-se encontrar estrangeiros, mas vale lembrar que este é um posto de mais ou menos uma vaga por empresa e que normalmente são as empresas que os vão buscar aos seus países, ou por intermédio de um amigo, do amigo, do amigo que te recomendou. É claro que nestes casos existem bons salários e condições para te fazerem sair do teu país.

Em média para os postos mais baixos, tipo funcionário se loja, o salário varia entre os 15.000 (150€) e os 20.000 (200€), para um licenciado de 40.000 (400€) a 60.000 (600€), para um funcionário de escritório ou outro cargo não muito especifico em que se tenha o 12º ano entre os 30.000 (300€) e 45.000 (450€).
Mas como é obvio estes valores variam se for um banco, uma universidade, uma entidade pública ou privada, a confiança que têm em ti, os anos ao serviço da empresa, a experiência, pois já vi gente sem grandes estudos a ganhar 200.000 (2000€), licenciados a ganhar 30.000 (300€), funcionário de loja a ganhar 9.000 (90€).

Há gente que ganha bem? Claro que sim, são é muito poucos.

A maneira mais fácil para procurarem emprego cá a partir daí, é enviar as vossas candidaturas espontâneas às empresas, via e-mail ou carta, uma vez que não há empresas de recrutamento on-line, pelo menos que eu conheça ou contactar empresas do vosso país que já estejam cá a operar.
Uma boa maneira para pesquisarem empresas pela sua actividade é no site das páginas amarelas de Cabo Verde.

Quanto ao custo de vida eu já tinha dito aqui, tudo é mais caro pelo menos que em Portugal. Basta pensarmos que aqui nada ou muito pouco se produz, logo tudo é importado de Portugal, do Brasil, da França o que aumenta o custo das mercadorias, embora aqui se trabalhe ainda com uma razoável margem de lucro o que deitas os preços de qualquer coisa lá para cima. Enquanto que noutros países se tem margens baixas mas o volume é enorme, aqui como não tem com o volume ser enorme aumentam-se as margens, e o consumidor é que sofre, mas fazer o quê?!!!
Se bem que depois de ter passado um mês fora em Dezembro, estou com sensação que alguns preços baixaram, os supermercados estão com muito mais oferta de produtos, já se pode encontrar quase de tudo, já têm a opção mais cara e mais barata do mesmo produto.
Hum…, mudanças que estou a gostar.

Quanto às casas e/ou apartamentos para comprar e/ou arrendar, já aqui tinha falado sobre isso, dêem uma olhada lá.
Mas seguem aqui sites de algumas imobiliárias:

- Imor

- Century 21

- Sofia Imobiliária

Agora na TV, jornais, revistas… todos apontam África como a solução para a crise, mas lembrem-se que uma coisa são os vendedores das empresas portuguesas que cá vêm umas duas ou três vezes por ano, durante uma semana, outra coisa bem diferente é morar cá.
Não estou a querer desencorajar ninguém, mas tentem primeiro arranjar emprego a partir daí, façam alguns contactos, venham cá passar uns quinze dias antes de largar tudo e todos e lembrem-se que aquilo que vão ver e fazer nesse tempo será tudo o que terão para ver e fazer nos restantes meses.

No entanto, para todos os que partirem à aventura desejo boa sorte e que consigam alcançar os vossos objectivos.

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De volta ao activo

19/01/2009 · 3 Comentários

Chegamos! Para dizer a verdade já chegamos na madrugada se sexta para sábado, mas aproveitei o fim de semana para desfazer malas, lavar e arrumar roupas e mais todas as compritas que fiz, e claro descansei bastante.

Para mim ainda é muito difícil morar cá, apesar de estar cá à quase um ano e meio, ainda não me habituei ao país, à cultura e maneira de estar, não me identifico, pelo menos de momento. Mas por mais estranho que pareça quando cheguei senti um pouquinho aquele alivio de chegar em casa e arrumar as nossas coisas no lugar, o que não é normal, pois eu odeio a minha casa, aliás a casa que empresa dá, é feia, tudo é antigo naquela casa, sem móveis decentes, aliás sem nada decente, o que me revolta imenso, pois eu sou aquele tipo de pessoa que no final do dia gosta de chegar em casa e sentir que ali é o seu canto, que se identifica com o que lá está dentro, que olha para um objecto e cada um tem a sua história.
Mas enfim, acho que é o hábito que me deu um pouco a sensação de “home, sweet home”

Essa viagem foi muito boa…, como é bom passar essa quadra em família. Matei saudades, fui a médicos, cabeleireiros, shoppings, cinemas, McDonald’s, senti muito frio, vi cair neve… tudo de bom, recuperei energias para mais uns meses, pensei e reflecti muito sobre o que quero, os meus objectivos, a forma de os alcançar… pois eu como boa nativa de gémeos quero fazer tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo, empolgo-me com as coisas, mas entretanto vou deixando-as para trás pois à sempre outra coisa nova que desvia a minha atenção, quero muito mudar isso, quero focar as minhas forças para conseguir chegar à realização das coisas.

Estes dias de descanso foram muito proveitosos, mas logo logo eu conto como foi tudo por Portugal.

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Aluguer em Cabo Verde

20/11/2008 · 8 Comentários

Quando já sabia que viria morar para Cabo Verde, passava horas na Internet à procura das mais diversas informações que dificilmente encontrei, também não são assim tantos os imigrantes cá e muito menos os que escrevem blogs ou deixam relatos da experiência, por isso hoje vou falar dos alugueres de casas podendo ser útil para quem procura a tão pouca informação disponibilizada sobre este país.

Como já tinha referido, as coisas por cá são muito caras e como é óbvio os alugueres também. Muita gente quando se fala nas ex-colónias pensam sempre que os preços são tipo o Brasil, onde realmente os portugueses com pouco dinheiro passam uma férias de sonho e fazem compras por uma ninharia, mas aqui não, assim como Angola também não, bem Angola muito menos nem adianta falar, com diárias dos hotéis a 300€…. Já dá para ter uma ideia!

Voltando às casas, temos 4 tipos (esta interpretação resume-se à habitação no centro da cidade da Praia) :

- Os moquifos nas zonas piores da cidade e os nas zonas residenciais relativamente recentes

- Os apartamentos/casas de qualidade aceitável nessas mesmas zonas residenciais

- Os apartamentos/casa de qualidade e tipologia equiparada aos apartamentos modernos em Portugal

- As casas de luxo que se concentram perto das embaixadas, numa rua com policiamento durante 24h e que pertencem por norma aos diversos corpos diplomáticos, e a alguns privados abastados.

Vamos às traduções, moquifos são sinónimo de lugares normalmente sem cozinha, ou seja divide-se por exemplo a sala, levando para lá um fogão de campismo, um frigobar  e umas bacias com água cada vez que é para lavar loiça, normalmente também não tem canalização por isso nem que tenha dinheiro não adianta comprar máquina de lavar roupa, vai ter que ser na mão mesmo, as casas banho podem ser inexistentes ou ser divididas com mais alguma vizinhaça, e ficam algumas horas do dia sem água, quando não são mesmo dias.

As casas de qualidade aceitável resume-se a ter uma divisão que chamamos de cozinha, mesmo que só lá caiba um fogão daquele género bem antigo nada de placas e fornos e bancadas, e o lava-loiças, o frigorifico sobe para a categoria de móvel de decoração e vai para sala mesmo, a ter um wc só nosso, mas não se pense que tem direito a tijoleira e azulejos bonitinhos, a pintura nas paredes, a piso flutuante nos quartos… nada disso.

As casas/apartamentos tipo os que estamos habituados em Portugal, aí tem direito a tudo, moveis e electrodomésticos na cozinha, casa de banho moderna, áreas amplas, azulejos, tijoleiras modernas, pisos flutuantes, armários embutidos nos quartos, gerador do prédio, parabólica, caixas de água. Podem estar inseridos em condomínios fechados com piscina e algum comércio à porta.

As casa de luxo, são enormes, bem decoradas, algumas com a sua piscina, gerador, parabólicas, jardins, garagens, policia à porta… e tal como disse cada uma tem o seu dono já, sejam particulares endinheirados ou entidades governamentais.

Quanto aos preços vou dar mais ou menos uma média, ou seja, os moquifos situam-se entre os 20.000 cve e os 25.000 cve (181€ e 226€ ), os apartamentos aceitáveis entre 25.000 cve e os 35.000 cve (226€ e 317€), os apartamentos da mesma tipologia dos de Portugal tem uma leque de valores mais alargado entre 40.000 cve e 100.000 cve ( 362€ e 906€ ), sendo que um T2 bom ronda no mínimo dos minimos 60.000 cve ( 544€ ), já as casas consideradas de luxo poucas são as que estão para arrendar mas as que estão ficam entre 150.000 cve e 300.000 cve (1360 € e 2720€ ).

Noutro post deixarei alguns sites de imobiliárias daqui, para quem quiser saber mais sobre os arrendamentos e vendas de casas.

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