Este final de semana tive um momento revelador, que me atirou para a cama durante 48 horas, que me tirou o apetite, que me tirou o interesse em tudo, foi um choque que me arrasou.
Não é de agora, todos os dias eu tenho reparado nos sinais que mostram que nada vai bem, são os cotovelos sequíssimos, os calcanhares tipo casco de cavalo, a depilação por fazer e que vou sempre deixando para depois, a pele do rosto cansada e baça por não receber os devidos cuidados, as unhas sem nenhum verniz, a repetição dos looks durante semanas… Enfim, pode parecer futilidade, mas no meu caso é sinal de que eu não estou a conseguir forças para enfrentar o dia-a-dia. Eu não tenho mais vontade de nada, objectivo nenhum (como me sinto vazia por isso…), vou me arrastando de dia para dia, sem o menor ânimo e à espera que alguma coisa aconteça miraculosamente.
Apesar de ter meio que virado moda as pessoas se auto-intitularem de depressivas ao menor contratempo, eu não sou uma pessoa que acredite na depressão, aliás eu conheço e acompanhei algumas pessoas com esse problema, não é que não acredite na doença em si, pois sei bem o que ela é capaz de fazer, não acredito é que eu algum dia entre nessa espiral.
Não sei nem explicar o porquê de estar assim, mas os últimos meses têm sido particularmente difíceis, pelas mais variadas razões.
Começando pelo facto de estar a tentar me adaptar a um país tão diferente do que estava habituada e esse processo nem sempre é fácil.
Passando por me terem diagnosticado uma furunculose, e um estado de estafilococcia que foi devidamente tratada, entretanto repetiu e tratada novamente, entretanto ando numa bateria de exames para ver como vai o sistema imunitário, até aqui parece estar tudo mais ou menos bem (esperemos pelos exames), mas confesso que ouvir falar nas bactérias a entrar na corrente sanguínea e levar a estados de septicemia me fez temer e relegar para segundo plano tudo o resto.
É a família do João que também está passar por alguns problemas.
E a maior facada, o mais duro e cruel dos motivos é o facto de ter a minha querida irmã desde este dia, a lutar contra um cancro da mama e a impotência e culpa que eu sinto por estar longe. Eu não poderia estar longe dela neste momento, não poderia, não deveria, sinto-me tão má irmã.
O blog não é nem o sítio para estes desabafos, ele é o meu escape, onde eu posso falar das coisas banais, das futilidades, do dia-a-dia, é o mundinho à parte que eu criei para mim, mas senti necessidade de deitar cá para fora o que está amargurado cá dentro, para quem sabe, depois de tornado público e assumir que bati no fundo, eu me reinvente e vá buscar forças e ânimo sei lá onde.
Sei que só depende de mim, e este foi um sinal de alerta.
















